São Paulo sedia primeira edição do Festival Marista de Arte e Cultura
O Festival Marista de Arte e Cultura (FEMAC) foi pensado para celebrar talentos, expressões e histórias que nascem do encontro ent...
Quando
10/10/2026
Local
Salão Nobre – Arquidiocesano
Endereço
Ficha técnica
MOSTRA FORMATIVA – JAZZ
Nome do grupo, coletivo ou projeto de dança
Grupo Andança
Título da coreografia
Louca
Educador(a) responsável pela produção:
Julcélio Nóbrega
Elenco da produção de dança
Clara Nogueira Valle Vasconcelos
Larissa Castro Coelho Lins Brasileiro
Laura Pessoa Albuquerque
Luisa Arruda Veras Coelho Pereira
Luisa Rebêlo de Moraes Guerra
Luiza Lessa de Azevedo de Lima Rocha
Marília Fernandes Albuquerque
Sara Oliveira do Vale
Lead – Apresentação resumida da produção.
“Louca” questiona o estigma imposto às mulheres que se posicionam, confrontam e recusam a docilidade esperada. A coreografia rompe com padrões que exigem silêncio, submissão e recato, transformando o rótulo de “louca” em símbolo de liberdade, força e resistência.
Release
“Louca” nasce de uma provocação sobre os mecanismos sociais que historicamente tentam controlar o comportamento feminino. A obra questiona o modo como mulheres que se posicionam, confrontam, discordam ou simplesmente recusam determinados papéis sociais são frequentemente classificadas como “difíceis”, “exageradas” ou “loucas”. A coreografia parte da ideia de que a palavra “louca” muitas vezes funciona como uma ferramenta de silenciamento. Quando uma mulher eleva a voz, estabelece limites, demonstra raiva, reivindica seus direitos ou se recusa a corresponder às expectativas de docilidade, pode ser imediatamente deslegitimada. O que está em jogo, portanto, não é apenas uma palavra, mas uma estrutura cultural que durante séculos ensinou às mulheres que ser aceita significava ser dócil, meiga, recatada, silenciosa e disponível. “Louca” não pretende representar uma personagem ou contar uma história específica. A criação constrói uma dramaturgia corporal a partir dessa tensão: entre aquilo que se espera de uma mulher e aquilo que ela deseja ser. O corpo inicialmente submetido a padrões de contenção encontra, progressivamente, possibilidades de ruptura, expansão e afirmação. No processo criativo, a pesquisa corporal investiga estados de controle e descontrole, contenção e explosão, obediência e enfrentamento. Gestos que remetem à repressão são desconstruídos e transformados em movimento, permitindo que a própria linguagem da dança se torne um espaço de questionamento. A intenção não é romantizar a “loucura”, mas revelar como esse rótulo pode ser utilizado para desqualificar a voz feminina. A proposta estética dialoga com a linguagem clássica e neoclássica, tensionando sua disciplina, precisão e organização com movimentos de ruptura, assimetria e instabilidade. O contraste entre controle e liberdade torna-se elemento central da composição, criando uma atmosfera em que a ordem é constantemente provocada pelo desejo de transgressão. Pedagogicamente, a coreografia possibilita uma reflexão sobre gênero, estereótipos, autonomia e liberdade de expressão. As intérpretes são estimuladas a perceber como determinadas expectativas sociais atravessam os corpos femininos e a investigar, por meio da dança, outras possibilidades de existir, ocupar espaços e construir suas próprias narrativas. “Louca” propõe, enfim, uma inversão: e se aquilo que chamamos de loucura for, muitas vezes, apenas uma mulher que decidiu não baixar a cabeça? Ao transformar o estigma em potência, a coreografia reivindica o direito de sentir, falar, confrontar, desejar e existir sem pedir desculpas por ocupar espaço.
Duração:
4min07seg
Classificação indicativa da apresentação
Livre